Entrevista a Marco Marujo

1- És natural da Madeira mais propriamente Santa Cruz, queres contar o porquê de teres vindo morar para o Porto?

Sempre tive muito apego pela música e desde pequeno que desejo ser professor de educação musical ou formação musical, ainda assim a cidade do Porto sempre foi uma área que gostava de visitar ou até mesmo viver. Acabei então por ir para o Porto pois o meu curso não tinha na Ilha da Madeira o que de certa forma até fiquei contente pois seria uma oportunidade se estar no Porto!

2- Qual foi a reação da tua família quando contaste que vinhas para o Porto estudar?

Os meus pais sempre me apoiaram independentemente do local onde ficasse colocado na Universidade, e da mesma forma sempre souberam que gostaria de estudar nesta maravilhosa cidade! Lembro-me do momento em que recebi a confirmação que ria finalmente para o Porto e os meus pais ficaram contentes e de certa forma tristes, pois é sempre difícil deixar um filho partir e seguir a sua vida.

3- O mundo das artes é o teu mundo?

Sim, sem dúvida alguma! Adoro o mundo artístico, tanto escultura, como pintura, música ou teatro, enquadro-me perfeitamente nesse mundo que talvez poucas pessoas o abraçam. Não importa a arte, eu estarei lá certamente, até porque fiz o meu secundário em Artes Visuais e não me arrependo de forma alguma.

4- Quando é que a música entrou na tua vida?

É uma pergunta difícil, porque acho que deste de sempre a música entrou na minha vida, eu é que acabei por entrar no mundo da música quando tive a noção do quão importante ela é para mim, talvez por volta do meu 5º entrei na Banda Municipal de Santa Cruz onde aprendi a tocar saxofone e aperfeiçoei as técnicas e os estudos no Conservatório da Madeira.

5- A tua entrada na banda fez-te crescer?

Claro! É uma pergunta que nem preciso de refletir sobre o assunto. A banda tornou-se a minha segunda família e lá são passados momentos únicos impossíveis de esquecer e descrever, sejam eles nos ensaios ou nos concertos ou nos cafés.

6- Achas que a música é uma escola?

Sem dúvida alguma! A música muito nos ensina, é uma escola da vida, apropriada a qualquer idade, a qualquer momento. Nunca é tarde demais para conhecer esta escola fantástica!

7- Já ganhaste algum concurso de música?

Sim já! Não me recordo ao certo o ano em que ganhei, mas ganhei dois anos consecutivos o Concurso Regional de Flauta de Bisel, fiquei em primeiro lugar tanto na categoria individual como em grupos em ambos os anos. Participei como jurado no Festival da Canção Infanto - Juvenil da Madeira em 2013. Realizei uma banda sonora para uma curta metragem intitulada de "Alapaki" onde conquistei o prémio de melhor banda sonora.

8- Por que grupos passaste na área musical?

Apenas pela Banda Municipal de Santa Cruz, onde ainda toco sempre que vou à Madeira de Férias!

9- Já pensaste em carreira internacional?

Sim, já refleti sobre o assunto, mas não é algo que pretenda para o meu futuro. Nunca me vi a ter uma carreira musical internacional, mas sim a transmitir conhecimentos musicais aos mais novos.

10- O porquê da escrita?

No início apenas via a escrita como um hobbi no entanto, com o passar dos anos percebi que talvez fosse mais que isso, e tudo aquilo que eu escrevia nada mais era do que desabafos em versos ou sonhos, mas tudo escrito de forma metafórica onde só eu realmente soubesse o que dali pretendia ou falava.

11-Lanças-te um livro recentemente "Poetiza-me" queres desvendar um pouco sobre o livro?

Posso desvendar um pouco! Portanto, este primeiro livro conta a minha história de vida e é cem por cento dedicado à melhor pessoa do mundo: ao meu avô. O meu avô faleceu e nada fazia mais sentido do que dedicar este livro à pessoa que sempre soube o que era a vida e como lutar e lidar com ela, à pessoa que me deu aquele grande incentivo a entrar no mundo da música. O livro consta com uma carta que existiu em vida, foi uma carta que escrevi ao meu avô já quando faleceu e que eu atirei ao mar depois de a fotografar e decidir incluir no livro. Todo o livro é metafórico e a metáfora central entende-se como um trio: o Sol, a Lua e as estrelas, sendo que, a Lua e as estrelas são o meu avô e eu, e o Sol a morte, ou então, dois amores e o Sol sendo um terceiro motivo que vem para desequilibrar todo esse ambiente. Este livro conta a minha história e quem eu sou, e só quem me conhece consegue desvendá-la. É uma história que não tem um fio, há que montá-lo, há que associar poema a poema, texto a poema e vice-versa. Nunca haverá histórias com o mesmo final porque só eu sei como começa e acaba e deixo a ao leitor a sua criatividade e desvendar as metáforas e construir a história.

12- Achas que algum daqueles poemas é um desabafo teu?

Na realidade todos os poemas e textos são desabafos que acabei por escrever ao chegar a casa ou até mesmo no momento, o que os torna tão pessoais e ao mesmo tempo tão semelhantes às vidas que me rodeiam.

13- Sonhavas já a muito tempo com a publicação dele?

Sim, há muito tempo que queria lançar um livro, só para teres uma ideia o meu livro consta com dois poemas do meu sétimo ano e só o lancei no meu primeiro ano de universidade. Tive de fazer uma seleção entre imensos poemas e textos e escrever novos, apenas ficaram os que realmente me tocam e que demonstram quem eu sou realmente

14- Qual é a reação das pessoas ao lerem o teu livro?

As pessoas têm a reação que eu pretendia, têm a sensação de que falo da vida delas, mas sem as conhecer, pois ao leres um poema nunca vais associá-lo à minha vida mas sim a momentos pelos quais passaste!

15- Projetos para o futuro já tens?

Sim claro, embora não goste de planear o futuro! Poderá não correr da forma como esperamos, mas tenho aquele "bichinho" de lançar um outro livro.

16-Ainda faltam realizar muitos sonhos?

 É uma boa pergunta, sou o tipo de pessoa que gosta de ter sonhos, mas não pensa neles, gosto apenas de sonhar e deixar-me levar, se acontecer fico feliz, se não acontecer não tem mal, sonhar também não mata nem fez mal. Mas sim penso que há sonhos que ainda possam existir por realizar.

17- Queres deixar algum conselho teu para as pessoas que iram ler esta entrevista?

 O que posso dizer é que todas as pessoas devem agarram todos os momentos da vida porque, até os mais triste acontecem por um motivo, e esses também servem para felicidade e para inspiração.